mediaScan_anexo 16

Anexo 16, Do convite do mostra: Spectrogeologia de Marcio Harum (2013)

A aparência de estudos de geografia em páginas escuras de um atlas imaginado pode exibir, por sugestão, a região do México Central, com suas duas costas, do Pacífico ao Golfo, remetendo às típicas imagens de satélite de décadas atrás, talvez do terremoto de 8.1 graus na escala Richter, ocorrido às 7h19 do dia 19 de setembro de 1985. Ou estamos diante de medições de movimentos hidrodinâmicos, insinuação de que vemos gráficos agitados por um fenômeno geofísico até então desconhecido imageticamente, quem sabe uma alusão direta ao terremoto do Oceano Índico, com 9.1/9.3 de registro sismográfico em seu epicentro, a Noroeste da Ilha de Sumatra na Indonésia, no Sul da Ásia, iniciado à 0h58 e com duração de aproximadamente 10 minutos, no dia 26 de dezembro de 2004.

A exposição da artista convidada da IV Mostra do Programa de Fotografia 2012/2013, MediaScans: Giant Waves, de Marcia Vaitsman, nos confirma, pelo conjunto de trabalhos em exibição, a sua pesquisa e grande interesse pela informação time-based de catástrofes naturais, arquivos de mídia e testemunhos registrados anonimamente (TV e web), que vem colecionando desde 2003. Sobre impressões de seda e papel, as séries MediaScans: Giant Wave nos remetem a inúmeras perspectivas de um mesmo inventário trágico do imaginário coletivo. Séries realizadas a partir da memória de vídeos do YouTube sobre o tsunami que invadiu a costa Ocidental de Honshu (a ilha central do arquipélago japonês) e que, originado por um abalo geotectônico marítimo de 9.0 graus, às 14h46 do dia 11 de março de 2011, na região de Sendai, fez o movimento das marés atingirem a dimensão convulsiva de ondas gigantes acima de 40 metros sobre mais de dez quilômetros de terra adentro.

Em relação à violência assistida, sob efeito da ausência de cor, a edição latente de leveza e beleza da mostra de Marcia Vaitsman revela uma mirada especializada para os artefatos digitais e os resíduos fantasmáticos, e que num piscar de olhos mais agudo, evidencia em quase-monocromia suas raras paisagens. Referências: Hazards Program, Global Earthquake Search – http://earthquake.usgs.gov/earthquakes/eqarchives.